Para sempre

Quem me conhece sabe que sempre achei estranho ouvir as pessoas a dizer que não têm qualquer relação com os avós, mas sei que a minha estranheza só advém do facto de ter tido uma avó como a D. Zina. 

Desde pequena que a minha avó foi como uma segunda mãe, educou-me como ninguém, cuidava de mim sempre que eu precisava e, acima de tudo, transmitiu-me valores que eu sei que vão ficar comigo para sempre. As recordações que tenho de criança digo-vos que são das coisas mais bonitas que poderia partilhar, e só tenho pena de muitos não terem nem metade do que eu tive.

A D. Zina foi a mulher mais forte que conheci, e eu só gostava de ter pelo menos um terço da força dela. Quando tudo apontava para que as coisas corressem mal, lá estava ela a mostrar a todos que estavam errados, e a lutar para permanecer connosco. E ainda conseguiu, muito mais do que se esperava. 
Só gostava que o tempo não fosse o recurso mais escasso que possuímos. Gostava que o tempo muitas vezes tivesse sido meu amigo para lhe poder dar mais vezes a mão. Gostava que o tempo tivesse sido  meu amigo para lhe poder dizer o quanto gosto dela. Gostava que o tempo tivesse sido meu amigo para me deixar estar mais tempo com ela. 

Agora só me resta lembrar de todas as gargalhadas, de cada vez que lhe ligava e ouvia a voz dela a dizer "'Tá, Martuxa?", e de contar até 3 até desligar a chamada. Lembrar dos almoços em casa dela, de ela me querer empanturrar até não aguentar, de me dar 5€ e dizer "Toma filha, para beberes um café". Lembrar dela como uma pessoa cheia de vida, que não suportava estar em casa fechada, que gostava de ir com as amigas beber o seu cafézinho. Lembrar das vezes que lhe tentámos ensinar inglês, das vezes que ela dizia ao meu pai para ir ter com ela só depois de fazer a barba porque a barba ficava-lhe mal. Lembrar dela sentada numa mesa qualquer cá de casa a fazer as suas palavras cruzadas.
Lembrar dela... Sempre.

Sei que vais estar sempre comigo, connosco, a olhar por nós. Sempre.
Sei que estás bem. Que foste e estás em paz. Sei também que não deixámos nada por dizer, que apenas gostávamos de te poder dizer mais ainda.

Isto não é um adeus, nunca será.
Vais ser sempre a luz ao fundo do túnel, a estrela mais brilhante no céu, o arco-íris depois da tempestade. 


Até já Vózinha,
Amo-te muito,
Para sempre.